Quando erros são bons: uma estratégia estranha para consertar hábitos ruins

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – When Mistakes Are Good: A Counterintuitive Strategy for Rapidly Fixing Bad Habits in Our Technique. Tradução: Bruno Madeira)

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Todos nós temos hábitos. Alguns bons, como comer coisas saudáveis, exercitar-se regularmente e espremer a pasta de dente a partir do fim do tubo. E outros não tão bons, como pular o café-da-manhã, se sentar com a coluna torta e deixar toalhas molhadas no chão.

Não é diferente quando se trata de música – todos nós temos vários hábitos de técnica bons e ruins. Aqueles bicho-papões contra os quais lutamos para nos livrar, mas que ficam ao redor como um gato de rua que uma vez nós cometemos o erro de alimentar.

A abordagem tradicional é tentar ensinar nossos alunos (e nós mesmos) como fazer as coisas da forma correta. Manter o reforço dos movimentos técnicos corretos e esperar que eventualmente as coisas boas permaneçam.

Mas mudar hábitos ruins parece levar uma eternidade e eles têm uma tendência de se esconder e ficar dormentes até o pior momento possível – como no meio de uma performance.

Pesquisas recentes sugerem que pode haver um jeito melhor. Uma maneira mais eficaz e rápida de corrigir permanentemente questões técnicas, reduzindo nosso tempo de aprendizado e melhorando a eficácia do nosso ensino.

É, eu sei. Isso tudo soa muito bom pra ser verdade. Mas vamos dar uma olhada.

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A prática mental funciona?

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Does Mental Practice Work? Tradução: Bruno Madeira)

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É dito que os legendários pianistas Rubinstein e Horowitz não eram muito afeiçoados à prática. Rubinstein simplesmente não gostava de praticar por horas a fio, enquanto Horowitz supostamente temia que praticar em pianos diferentes do seu próprio afetaria negativamente seu toque. A solução deles? Uma dose saudável de prática mental.

Embora muitos de nós possamos nunca ser legendários, a prática mental é algo que pode beneficiar absolutamente todos os músicos, independentemente do nível de proficiência.

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5 qualidades que você precisa para ser um músico de sucesso

(Texto original do site CMUSE The Top 5 Qualities You Need To Be a Successful Musician. Tradução: Bruno Madeira)

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Numa competitiva e saturada indústria como a musical, é frequentemente difícil distinguir exatamente o que é necessário para prosperar. A renda não é sempre estável e pode ser difícil de encontrar, especialmente quando se está começando. A sorte é um enorme fator para se tornar capaz de deixar de tocar música paralelamente a outra atividade e dedicar-se a ela em tempo integral, mas criar uma forte base para se trabalhar e um pouco de jogo de cintura nunca é demais. Essas dicas estão aqui para ajudar você a transformar sua paixão em uma promissora carreira musical.

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Ponce e a canção popular

(Texto original de Manuel Ponce, publicado em 1917. Tradução: Bruno Madeira)

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“A canção popular é a manifestação melodiosa da alma de um povo. O povo canta porque precisa dessa estranha forma de expressão para externar seus sentimentos mais íntimos. É a explosão da alma popular que sofre e cala, e que não faz uso das palavras unicamente, porque só a música pode interpretar suas emoções mais escondidas. Por isso, a música é a companheira mais antiga e mais doce da humanidade.

Mas nem todas as classes sociais puderam expressar suas emoções musicalmente. Parece que o destino, que privou tantos deserdados das comodidades e prazeres que proporciona a riqueza, dotou esses mesmos desamparados da fortuna de um sentido musical extraordinário e de um sentimento pouco comum, do que carecem, em geral, os que formam a classe aristocrática.

Por isso a canção é produto genuíno do povo. Nunca teve sua origem nos salões dourados e deslumbrantes dos magnatas, não surgiu jamais de uma soirée aristocrática. A canção popular nasceu nas humildes cabanas ou nas modestas habitações dos necessitados. Não poderia ser a expressão do sofrimento de um poderoso, porque os sofrimentos dos poderosos se evaporam nas bolhas do champagne ou se esquecem na corrida louca de um automóvel… Não poderia ser tampouco a expressão do amor de um burguês, porque o amor dos burgueses se contenta e se assossega com uma valsa de opereta vienense ou se exalta com o ritmo vulgar de um cake walk americano.

A canção popular contém todo o sofrimento, a paixão, o amor, o zelo, a esperança, a desilusão, as lembranças, as tristezas e as fugazes alegrias dessa classe social condenada ao trabalho duro e a indiferença da classe dominante.

A canção popular não poderia nascer depois de um chá das cinco ou de uma partida de tênis, não poderia surgir dos lábios pintados de uma senhorita da sociedade. É simples como as florzinhas do campo, dolente como a vida do povo, doce e suave como um santo entardecer; leva em sua melodia as visões de felicidade e os delírios dessas pobres pequenas almas que passam pelo mundo pela via dolorosa que o destino implacável marcou para elas.”

Quantas horas por dia você deve estudar?

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – How Many Hours a Day Should You Practice? Tradução: Bruno Madeira)

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2 horas? 4 horas? 8 horas? 12 horas?

Quanto é o suficiente?

“Estudar demais” é possível?

Existe um número ótimo de horas que se deve praticar?

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Duas coisas que especialistas fazem de forma diferente quando praticam

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Two Things Experts Do Differently Than Non-Experts When Practicing. Tradução: Bruno Madeira)

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Você alguma vez já viu aquele tipo de infomercial que uma pessoa vai do tamanho 52 para o 36 em oito semanas, joga fora as calças antigas, casa com alguém e vive feliz para sempre? (Se não, você precisa checar esses cinco piores infomerciais de fitness de todos os tempos – especialmente a Hawaii Chair, que com certeza você poderia usar para tonificar seu abdômen enquanto estuda seu instrumento.)

Eu admito que fui tentado pelo AB Toner, AB Swing e vários outros equipamentos, porque a coisa mais frustrante sobre fazer exercícios é que é difícil saber se você está fazendo o melhor uso do seu tempo.

Quero dizer, é claro que fazer alguma coisa é melhor do que fazer nada, mas e se existir outra rotina de exercícios que poderia me levar a resultados muito melhores na mesma quantidade de tempo?

O que as pessoas em boa forma fazem que eu não faço? Como seus exercícios são diferentes? Existem coisas importantes que eles fazem enquanto se exercitam que dão maior retorno do que as coisas que eu faço? Em outras palavras, eles estão extraindo do tempo deles na academia resultados desproporcionalmente maiores do que os meus?

O mesmo pode ser dito em relação à sala de estudos. O que os melhores músicos fazem na sala de estudos? O que os estudantes menos efetivos fazem? Existem diferenças?

De fato, parece que existem.

Melhor vs. pior

Dois pesquisadores da City University of New York fizeram um estudo em jogadores de basquete para ver se eles poderiam discernir a diferença enter os hábitos de treinamento dos melhores arremessadores de lance livre (70% de acertos ou mais) e os piores arremessadores (55% de acerto ou menos).

Descobriram várias diferenças, mas elas se resumiam a duas em particular.

Diferença nº. 1: Metas foram específicas

Os melhores arremessadores de lances livres tinham metas específicas sobre o que eles queriam obter ou focar antes de fazerem um treino de arremessos. Algo como “eu vou acertar 10 dos 10 arremessos” ou “eu vou manter meus cotovelos para dentro”.

Os piores arremessadores tinham metas mais genéricas, como “fazer o arremesso” ou “usar boa posição”.

Diferença nº. 2: Atribuições do erro foram específicas

Invariavelmente, os jogadores erravam arremessos algumas vezes, mas quando os melhores arremessadores erravam, eles tendiam a atribuir seus erros a problemas técnicos específicos, como “eu não dobrei meus joelhos”. Isso os levava a uma meta mais específica para a próxima tentativa e um processo de reflexão mais consciente sobre o acerto ou erro do arremesso subsequente. Muito melhor do que dizer “sou ruim”, “o que há de errado comigo?” ou “droga, eu nunca vou conseguir fazer isso”.

Em contraste, os piores jogadores tendiam a atribuir o fracasso a fatores não-específicos, como “meu ritmo não estava bom” ou “eu não estava focado”, o que não informa muito para a próxima tentativa.

Não é o que você sabe, mas o que você usa

Você pode estar pensando que talvez os piores jogadores não tenham focado em estratégias técnicas específicas simplesmente porque eles não as conheciam. Você poderia achar que talvez os melhores jogadores fossem aqueles que focaram na técnica e estratégia porque eles sabiam mais sobre como arremessar com a posição correta.

Os pesquisadores também pensaram nisso e especificamente controlaram essa possibilidade testando o conhecimento dos jogadores em relação a técnica de arremesso. Descobriram que não havia diferenças significativas do conhecimento de especialistas e não-especialistas.

Tanto os melhores quanto os piores jogadores tinham o mesmo nível de conhecimento para se basear, mas pouquíssimos dos piores jogadores realmente usaram essa base. Enquanto isso, os melhores jogadores usaram com muito mais frequência seus conhecimentos para pensar, planejar e direcionar seu tempo de treinamento de forma mais produtiva.

Tome uma atitude

Quando você estiver praticando algo técnico, tente usar metas mais específicas.

Mas talvez mais importante do que isso é prestar atenção em como você fala com você mesmo depois de errar. Você foca na técnica? Ou só xinga um pouco e já segue para mais uma tentativa sem tentar descobrir o que você errou na última?

O resumo em uma frase

“Sem conhecimento, a ação é inútil. Sem ação, o conhecimento é fútil.”  – Abu Bakr

Sonatina Meridional, de Manuel Ponce

Sonatina Meridional, de Manuel Maria Ponce (1882-1948) é a peça que fecha o recital Nosso norte é o Sul.

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Ponce foi um dos pioneiros do nacionalismo musical mexicano, tendo composto várias peças com temas do seu país (Sonata MexicanaTres Canciones Populares Mexicanas, Scherzino Mexicano e outras). Porém, no primeira movimento da Sonatina Meridional ele usa uma canção popular espanhola, sugerida por Segovia em uma carta, como segundo tema. Procurando pela internet, achei uma interessantíssima gravação do tema original, cantado:

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Dançando na Colômbia: Suíte Colombiana nº. 2

Seguindo no programa do recital “Nosso norte é o Sul”, a terceira peça é a Suíte Colombiana nº. 2,  um conjunto de quatro movimentos baseados em danças do folclore colombiano.

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Les Danseurs, de Fernando Botero (1932-)

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Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

colunas Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

La Ciudad de las Columnas foi composta em 2004 pelo compositor cubano Leo Brouwer (1939-). Trata-se de um tema com variações, cujo título é homônimo de um ensaio literário de Alejo Carpentier que retrata características da capital cubana, Havana. O uso inteligente e frequente de variados recursos idiomáticos do violão por toda a peça mostra a excepcional habilidade composicional de Brouwer, que hoje com 75 anos continua compondo obras-primas para o violão.

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América do Sul de cabeça para baixo?

América do Sul de cabeça para baixo? Entenda o porquê do nome do recital “Nosso norte é o Sul”, que apresentarei em Taubaté em 18/11/14.

O título do recital, “Nosso norte é o Sul”, remete à frase do artista plástico uruguaio Joaquín Torres García (1874-1949). Defensor da construção de uma arte própria da América do Sul, Torres García desenhou um mapa da região com os polos invertidos, com o sul apontado para cima, simbolizando a valorização e desenvolvimento da cultura meridional, oposta à dependência e imitação do que acontece no norte. Segundo o artista, é necessário deixar os autores e professores que nada podem dizer daquilo que devemos descobrir em nós mesmos.

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