Prelúdio no. 3

Continuando as dissertações sobre cada peça apresentada no recital, agora é a vez do Prelúdio no. 3, de Heitor Villa-Lobos. Revi algumas coisas que já tinha escrito em outros posts, adicionei outras.

Villa-Lobos compôs 5 Prelúdios para violão solo. Dentre sua obra para violão, considero os Prelúdios como sendo as peças mais bonitas individualmente. Cada prelúdio foi uma homenagem a uma figura, ou um personagem, que de alguma forma ou de outra influenciou seu modo de compor. O Prelúdio no. 1 faz referência ao caipira, o no. 2 aos chorões, no. 4 ao índio, no. 5 ao malandro carioca e o no. 3, o prelúdio do meio, a Bach, possivelmente sua maior influência.

Um prelúdio não tem uma forma definida. Mas a forma desse em específico lembra a Tocatta e Fuga em Ré Menor de Bach. A primeira parte é livre, com muitas respirações e fermatas, a cargo do intérprete. Já a segunda é mais marcada, com um ritmo fixo a ser seguido.

Agora sendo um pouco mais específico: na primeira seqüência melódia (compassos 1 e 2), que é equivalente a melodia do fim do compasso 6 e 7 – fazer um crescendo e um rubato, acelerando e desacelerando na mesma proporção até o acorde seguinte (C7M e F#); procurar igualdade de timbre, tomando cuidado com cordas soltas que evidenciam a discrepância timbrística. Nos acordes (compassos 3 e 8) – arpejar bastante, antecipando o baixo para conseguir uma idéia de ligação entre a frase melódia anterior e a nota mais aguda do acorde. Arpejos (compassos 4, 9 e 19) – igualdade de timbre, especial cuidado com cordas soltas; tomar cuidado na elaboração das digitações; acelerar e reduzir na mesma proporção das seqüências melódicas.

Há dois extremos nas possibilidades de interpretações possíveis na segunda parte, um com o ritmo constante e outro no qual o ritmo é subordinado das frases. As duas possibilidades são coerentes, o intérprete deve escolher pelo gosto pessoal. Na primeira opção, a parte é tocada mais andada, com a nota pedal marcando o ritmo firmemente. Na segunda opção, há uma conotação mais romântica, que a meu ver embeleza a música pela riqueza de uma digitação que realça harmônicos. Eu havia optado pela segunda opção, mas agora acabei mesclando as duas. Estou fazendo num ritmo marcado para não perder a essência da peça mas sem deixar de ser uma melodia introspectiva e suave. A nota pedal deve aparecer menos do que a nota que se move, e pra isso estou alternando entre o apoio e o não-apoio, fazendo o pedal sem apoiar.

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