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Recital – Bruno Madeira (São José dos Campos, 26/07/15)

bruno madeira recital são josé dos campos Recital   Bruno Madeira (São José dos Campos, 26/07/15)

O premiado violonista Bruno Madeira apresenta peças do repertório latino-americano para violão solo, mostrando a rica produção musical de compositores da Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, México e Uruguai. O programa inclui obras de Astor Piazzolla, Heitor Villa-Lobos, Gentil Montaña, Leo Brouwer, Manuel Ponce e Abel Carlevaro, autores que enfatizaram o papel de elementos da cultura de seus países para criar uma importante fatia do repertório violonístico dos séculos XX e XXI.

O recital encerra o 2º Festival Villa-Lobos de Inverno de São José dos Campos, organizado pela Faculdade Villa-Lobos do Cone Leste Paulista.

Repertório
Abel Carlevaro: Prelúdio Americano nº. 5 – Tamboriles
Leo Brouwer: La Ciudad de las Columnas
Gentil Montaña: Suíte Colombiana nº. 2
Heitor Villa-Lobos: Prelúdios nº. 4 e 2
Astor Piazzolla: Primavera Porteña
Manuel Ponce: Sonatina Meridional

Música latino-americana para violão solo – Bruno Madeira
Local: Auditório da Faculdade Villa-Lobos
Rua Francisco José Longo, 460 (acesso pela Rua Helena David Neme, 221)
São José dos Campos/SP
Data e horário: 26 de julho de 2015, 20h
Entrada franca

Ponce e a canção popular

(Texto original de Manuel Ponce, publicado em 1917. Tradução: Bruno Madeira)

cancaopopular ponce Ponce e a canção popular

“A canção popular é a manifestação melodiosa da alma de um povo. O povo canta porque precisa dessa estranha forma de expressão para externar seus sentimentos mais íntimos. É a explosão da alma popular que sofre e cala, e que não faz uso das palavras unicamente, porque só a música pode interpretar suas emoções mais escondidas. Por isso, a música é a companheira mais antiga e mais doce da humanidade.

Mas nem todas as classes sociais puderam expressar suas emoções musicalmente. Parece que o destino, que privou tantos deserdados das comodidades e prazeres que proporciona a riqueza, dotou esses mesmos desamparados da fortuna de um sentido musical extraordinário e de um sentimento pouco comum, do que carecem, em geral, os que formam a classe aristocrática.

Por isso a canção é produto genuíno do povo. Nunca teve sua origem nos salões dourados e deslumbrantes dos magnatas, não surgiu jamais de uma soirée aristocrática. A canção popular nasceu nas humildes cabanas ou nas modestas habitações dos necessitados. Não poderia ser a expressão do sofrimento de um poderoso, porque os sofrimentos dos poderosos se evaporam nas bolhas do champagne ou se esquecem na corrida louca de um automóvel… Não poderia ser tampouco a expressão do amor de um burguês, porque o amor dos burgueses se contenta e se assossega com uma valsa de opereta vienense ou se exalta com o ritmo vulgar de um cake walk americano.

A canção popular contém todo o sofrimento, a paixão, o amor, o zelo, a esperança, a desilusão, as lembranças, as tristezas e as fugazes alegrias dessa classe social condenada ao trabalho duro e a indiferença da classe dominante.

A canção popular não poderia nascer depois de um chá das cinco ou de uma partida de tênis, não poderia surgir dos lábios pintados de uma senhorita da sociedade. É simples como as florzinhas do campo, dolente como a vida do povo, doce e suave como um santo entardecer; leva em sua melodia as visões de felicidade e os delírios dessas pobres pequenas almas que passam pelo mundo pela via dolorosa que o destino implacável marcou para elas.”

Sonatina Meridional, de Manuel Ponce

Sonatina Meridional, de Manuel Maria Ponce (1882-1948) é a peça que fecha o recital Nosso norte é o Sul.

campo 506x336 Sonatina Meridional, de Manuel Ponce

Ponce foi um dos pioneiros do nacionalismo musical mexicano, tendo composto várias peças com temas do seu país (Sonata MexicanaTres Canciones Populares Mexicanas, Scherzino Mexicano e outras). Porém, no primeira movimento da Sonatina Meridional ele usa uma canção popular espanhola, sugerida por Segovia em uma carta, como segundo tema. Procurando pela internet, achei uma interessantíssima gravação do tema original, cantado:

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Estreia do recital: “Nosso norte é o Sul”

Olá pessoal,

Gostaria de convidá-los para o recital “Nosso norte é o Sul – Música latino-americana para violão solo”, que farei na Escola de Artes Fêgo Camargo, em Taubaté, no dia 18 de novembro.

Apresentarei um programa novo, que traz obras representativas de quatro países latino-americanos – Argentina, Cuba, Colômbia e México. Primavera Porteña abre o programa, evocando a atmosfera de Buenos Aires no estilo característico do mais emblemático compositor argentino. Logo após, é apresentada La Ciudad de las Columnas, ambicioso tema com variações composto em 2004 a partir da famosa Pieza sin título nº. 1, uma das primeiras composições do cubano Leo Brouwer (1939-). Trata-se de uma peça ainda pouquíssimo executada, cada movimento refletindo pontos marcantes de um passeio pela capital cubana, a cidade das colunas. Do colombiano Gentil Montaña (1942-2011) é apresentada a Suíte Colombiana nº. 2, em quatro movimentos compostos a partir de ritmos de danças típicas de seu país. A última obra apresentada é a Sonatina Meridional, de Manuel Ponce (1882-1948). Em três movimentos, a sonatina expõe a maestria do compositor mexicano em uma das peças “Segovianas”, em referência ao repertório interpretado e muitas vezes comissionado pelo grande virtuoso espanhol Andrés Segovia (1893-1987).

Escrevi um pouco sobre o título do programa e o repertório, confira:

América do Sul de cabeça para baixo?http://brunomadeira.com/america-do-sul-de-cabeca-para-baixo/

Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnashttp://brunomadeira.com/um-passeio-por-havana-la-ciudad-de-las-columnas/

Dançando na Colômbia: Suíte Colombiana nº. 2http://brunomadeira.com/dancando-na-colombia-suite-colombiana-no-2/

Sonatina Meridional, de Manuel Poncehttp://brunomadeira.com/sonatina-meridional-de-manuel-ponce/

recital brunomadeira1 718x1024 Estreia do recital: Nosso norte é o Sul