Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

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La Ciudad de las Columnas foi composta em 2004 pelo compositor cubano Leo Brouwer (1939-). Trata-se de um tema com variações, cujo título é homônimo de um ensaio literário de Alejo Carpentier que retrata características da capital cubana, Havana. O uso inteligente e frequente de variados recursos idiomáticos do violão por toda a peça mostra a excepcional habilidade composicional de Brouwer, que hoje com 75 anos continua compondo obras-primas para o violão.

Após uma breve introdução, o tema principal é a Pieza sin Título nº. 1, composta por Brouwer em 1956, então com apenas 17 anos de idade. Depois de 48 anos sem título, a peça recebe o nome de Andar la Habana.

O segundo movimento se chama La Ceiba y el Colibri, fazendo referências à árvore ceiba, considerada sagrada pela religião afrocubana yoruba, e ao colibri que por ela circula, representado por um rápido tremolo do violão.

ceiba Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

A suíte segue com Convento de San Francisco, no qual uma harmonia serena e o uso de harmônicos naturais cria uma atmosfera delicada e de reflexão.

convento Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

O movimento seguinte se chama Por la Calle del Obispo, no qual dissonâncias em um ritmo agitado simbolizam uma caminhada na tumultuada Rua do Bispo.

obispo Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

Seguindo, nos é apresentada Amanecer en el Morro. O título faz alusão ao Castillo del Morro, fortaleza colonial do século XVI de onde pode se observar grande parte da cidade. Também rica no uso de harmônicos, a peça possui um caráter sombrio, criado a partir da combinação de fragmentos do tema inicial com harmonias dissonantes em um ritmo lento.

morro Um passeio por Havana: La Ciudad de las Columnas

O último movimento, Toque en la Plaza de Armas, retrata uma cerimônia religiosa chamada toque, na qual vários padrões rítmicos são executados por tambores para invocar os orishas, espíritos que trazem bênçãos aos devotos. É nesse movimento extremamente virtuosístico que a suíte termina, de forma visceral e agressiva.

A peça foi composta em 2004 e é considerada uma obra-prima do compositor cubano. No Brasil se tem registro de apenas duas performances até a data atual (novembro de 2014): a estreia, feita por Mário Ulloa em 2008 e uma segunda apresentação feita por João Luiz Resende em 2012. No programa Nosso norte é o Sul: Música latino-americana para violão solo, estreado em Taubaté no dia 18/11/14, a peça teve a oportunidade de ser mais uma vez apresentada ao público brasileiro.

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