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70 anos de Baden Powell

David da Silva, leitor do Canto do Violonista, me lembrou que hoje é o aniversário do nascimento de um grande músico brasileiro, importantíssimo no cenário do violão - Baden Powell de Aquino.

Baden Powell

Baden Powell nasceu em 6 de agosto de 1937. Filho de Dona Adelina e do violinista Lino de Aquino, que deu-lhe esse nome por ser fã do criador do Escotismo, o general britânico Robert Stephenson Smyth Baden-Powell. É pai do pianista e tecladista Phillipe Baden Powell e do violonista Louis Marcel Powell (ambos nascidos na França).

Tinha uma maneira única de tocar violão, incorporando elementos virtuosísticos da técnica clássica e suíngue e harmonia populares. Ele explorou de maneira radical os limites do instrumento, o que o transformou em uma rara estrela nacional da área com trânsito internacional.

Conheceu Vinicius de Moraes em 1962, formando uma parceria musical, criando músicas como o Samba da Bênção, Samba em Prelúdio, Deixa e Canto de Ossanha.

Teve músicas gravadas por Beth Carvalho (Samba do Perdão, parceria com Paulo César Pinheiro), Elis Regina (Samba do Perdão, Quaquaraquaquá, Aviso aos Navegantes, todas em parceria com Paulo César Pinheiro), Elizeth Cardoso (Valsa do amor que não vem, com Vinícius de Moraes).

Cecília Siqueira e Fernando Lima

Particularmente, acho o trabalho desses dois excepcional. Pude prestigiar o duo no Seminário Vital Medeiros, em maio desse ano, e a sua musicalidade contagiante me fez virar fã de carteirinha da Cecilia e do Fernando. O carisma e a versatilidade do repertório contribuem para que a cada música uma experiência musical diferente e envolvente aconteça, tornando o espetáculo interessante para todo o tipo de ouvinte.

DUO SIQUEIRA-LIMA

Após acumularem vários prêmios como solistas, os violonistas Cecilia Siqueira e Fernando Lima se uniram no ano de 2002 com a intenção de juntarem as vivências musicais e culturais latino-americanas que ambos assimilaram em seus paises de origem, além da formação erudita que cada um obteve, para formarem um duo de violões. Duo que na atualidade, é considerado um dos melhores grupos violonísticos da América Latina.

Cecília, nascida em Paysandú (Uruguai) traz uma forte tradição do folclore uruguaio, e Fernando, vindo do interior de Minas Gerais foi intensamente influenciado pela “viola caipira” e a música regional mineira.

Desde seu inicio o duo vem recebendo críticas excepcionais, obtendo uma rápida projeção nacional e internacional. Com aproximadamente cinco anos de existência, eles gravaram dois discos, se apresentaram em quase todo Brasil e vem realizando concertos em paises como Uruguai, Argentina, Espanha, Itália, Inglaterra, Áustria, Suíça, Irlanda, Hungria e Rússia.

Cecilia Siqueira e Fernando Lima se conheceram em Caxias do Sul (RS – Brasil), onde dividiram o primeiro prêmio no II Concurso Internacional de Violão Pró Música / SESC em julho de 2001. No ano seguinte nasceu a idéia de formarem o duo que teve a oportunidade de estrear em Paysandú (Uruguai), no teatro Florencio Sánchez. Desde então se seguiu uma série de apresentações em diversas cidades uruguaias, como Montevidéu, no Festival Internacional Abel Carlevaro; em Salto, no Ateneo Municipal; em Punta del Este, no Club del Lago; em Treinta y Três, no Teatro Municipal, além de diferentes apresentações na televisão, onde se destaca o programa La guitarra y sus intérpretes, em Rede Nacional Uruguaia.

No Brasil, eles têm realizado concertos em importantes séries e festivais, já tendo se apresentado em diversos estados e gravado em vários programas de rádio e TV.

Em dezembro de 2002, gravaram o primeiro Cd, Tudo ConCorda, onde se optou por uma diversidade de compositores e estilos que vão desde o barroco até a música popular, o que demonstra uma grande versatilidade musical e expressiva.

No ano de 2003, realizaram a sua primeira turnê em duo pela Europa, onde percorreram países como Espanha, Itália, Áustria, Suíça e Hungria. Nesta turnê destaca-se o concerto de Milão no Teatro Palazzina Liberty e a apresentação no Castelo Ësterhaze (onde viveu Joseph Haydn), antiga sede do governo austro-húngaro, na Hungria.

Nos anos de 2004 e 2005 realizaram vários concertos na Irlanda e Inglaterra onde propuseram mostrar a riqueza da música popular brasileira, levando um repertório especialmente dedicado a este gênero.

Em maio de 2006 realizaram uma nova turnê na Irlanda em diferentes teatros de Cork (Sirius Art Center), Wexford (Wexford Art Center), Dublin (Bank of Ireland e Saint Ann´s Church) e foram pela primeira vez para Rússia, se apresentando no International Musical Festival e no Musical Portrait na cidade de Kaluga.

Em agosto de 2006 gravaram o seu segundo álbum discográfico intitulado Lado a Lado, somente com compositores brasileiros e com um repertório arranjado pelo próprio duo, de obras que são inéditas para o violão. O CD foi produzido e lançado na Irlanda no Festival of World Cultures, onde se apresentaram artistas de mais de 50 paises.

“O duo Siqueira Lima abrilhantou o festival com o ritmo contagiante dos povos da América Latina. São grandes artistas do violão, executam as obras com maestria, graça, e um incomparável senso artístico. Excepcionais”.

Publicado no Jornal O mundo do Violão, Kaluga – Rússia

Turíbio Santos

Turíbio Santos

TURÍBIO SANTOS (Turíbio Soares Santos) nasceu em 07/03/43, em São Luis do Maranhão. Seu pai, Turíbio Soares da Silva Santos Filho e sua mãe, Neide Lobato Soares Santos, também maranhenses, eram pessoas alegres, amantes da música e das serestas. A família radicou-se no Rio de Janeiro em 1946, trazendo a irmã recém-nascida de Turibio, Giselda. Os irmãos Ronaldo e Cláudio nasceram no Rio de Janeiro respectivamente em 1948 e 1955.

Na chegada, a família hospedou-se com os avós de Turíbio, Dona Martiniana e seu Isaac Lobato, na Tijuca. Mais tarde mudaram-se para Copacabana, em 1948, num dos primeiros prédios da Avenida Nossa Senhora de Copacabana o 109, no posto Dois.

Nesse endereço a família recebia em 1950 as irmãs mais velhas de Turíbio, do primeiro matrimônio do pai, Lilah e Conceição vindas do Maranhão. Elas, como o pai, eram seresteiras e gostavam de um violão. O pequeno Turíbio, acostumado a ouvir o pai e as irmãs, aos 12 anos de idade pediu a mãe para aprender o instrumento. As primeiras aulas serão com Molina e Francisco Amaral, professores das irmãs. Os progressos são muito rápidos e surpreendem a família.

Em 1955, assiste na companhia de seu pai, um filme do mestre espanhol Andrés Segóvia na Embaixada dos Estados Unidos no Rio. Nessa noite conhece três personagens importantes na sua vida: Antônio Rebello (que viria a ser seu professor de violão), Hermínio Bello de Carvalho (poeta, produtor e aluno de Antônio Rebello) e Jodacil Damaceno (violonista assistente de Antônio Rebello). Com Rebello formará uma sólida base profissional, Jodacil vai lhe mostrar todo o universo do violão clássico e Hermínio o da música popular com os amigos Jacob do Bandolim, Ismael Silva, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Araci de Almeida, Dino 7 Cordas, César Farias, Nicanor Teixeira, Elizeth Cardoso, Radamés Gnattali e Pixinguinha.

PixinguinhaDino 7 CordasRadamés Gnatalli

Já estudando com Antônio Rebello, Turíbio conhece Heitor Villa-Lobos em 1958, numa conferência do compositor na Escola de Canto Orfeônico, na Urca. A pedido de Hermínio Bello de Carvalho ele anota meticulosamente os detalhes da conferência, o que resultará no livro “Villa-Lobos e o Violão” editado anos mais tarde pelo Museu Villa-Lobos. Seus estudos musicais vão sendo feitos com professores particulares até chegar as mãos de Edino Krieger, de quem vem a se tornar um grande amigo.

Villa-Lobos

Em 1961, numa conferência de Hermínio Bello de Carvalho sobre a obra de Villa-Lobos Turíbio tocará para Arminda Villa-Lobos e será por ela convidado a gravar a primeira versão integral dos 12 Estudos do maestro (dedicados a Andrés Segóvia) para o recém-fundado Museu Villa-Lobos.

Entre traduções de livrinhos de bolso e aulas de violão, o jovem Turíbio tenta manter-se fiel ao instrumento. No entanto, na época, a música é mal vista como meio de vida e ele ingressa na Faculdade Nacional de Arquitetura, em 1962.

Nesse mesmo ano, em 27 de julho, dará seu primeiro recital em sua terra natal, São Luís, no Teatro Artur Azevedo, o segundo no Rio de Janeiro na ABI em 17 de agosto e o terceiro no Festival Villa-Lobos, em novembro, executando o Sexteto Místico em 1ª audição mundial.

Em 1963, Turíbio Santos grava em duo com Oscar Cáceres, seu amigo uruguaio e professor desde 1959, para o selo Caravelle. A partir desse momento a carreira profissional é inevitável. No Festival Villa-Lobos de 63 executa os 12 Estudos em 1ª audição da série integral.

Em 1965, ganha o 1º Prêmio do VII Concours International de Guitare da ORTF (Office de Radiodiffusion et Television Française) em Paris e lança sua carreira internacional. Com a vitória, tem a oportunidade de radicar-se na França. Recebe então, um convite para lecionar no Conservatório do X-éme arrondissement em Paris.

Nos meses de julho e agosto estuda respectivamente com Julian Bream e Andrés Segóvia. O impacto dos dois mestres marca profundamente Turíbio. Ele gravará seus primeiros discos na Europa para a RCA em 1967 e 1968: um 45 rotações com obras de Barrios (La Catedral) e Villa-Lobos (Choros nº 1) e um LP acompanhando a cantora brasileira radicada em Paris, Maria D’Apparecida (com canções de Waldemar Henrique, Heckel Tavares, Villa-Lobos, Jayme Ovalle).

Andres SegóviaJulian BreamAgustin Barrios

Em 30.12.66 Turíbio casa-se com Sandra Assunção. Nessa relação terá 2 filhos: Ricardo (08.12.70) e Manuela (30.12.72), ambos nascidos em Paris.

No ano de 1968, janeiro, Turíbio é convidado a gravar o Concerto de Aranjuez com o Colegium Musicum de Paris, para a Musidisc Europe, e repertório espanhol de sua livre escolha. O disco, vendido a preços populares atinge a marca de 300.000 exemplares, abrindo-lhe o mercado fonográfico Europeu.

De 1965 a 1970, Turíbio terá uma relação profissional estreita com o produtor francês Robert Vidal, mas permanentemente conflitante até um rompimento radical. Durante esse período ele realiza inúmeras turnês para as Jeunesses Musicales de France e programas de rádio com um enorme repertório, muitas vezes gravado em leituras a primeira vista na ORTF.

Sua carreira na Inglaterra é lançada com o auxílio de Raquel Braune da Embaixada do Brasil e da empresária Helen Jennings, em 1967. Turíbio começa a tocar intensivamente nesse país.

Depois de seus dois primeiros discos gravados para a Erato (Os 12 Estudos de Villa-Lobos e o Concerto para Violão e Orquestra, Sexteto Místico e Prelúdios) é convidado pela Erato na condição de artista exclusivo para gravar mais 14 discos durante 14 anos que se seguiram.

Turíbio Santos

Residindo em Paris, Turíbio adota a rotina de apresentar-se no Brasil nos meses do verão europeu. O maestro Eleazar de Carvalho convida-o seguidamente para o Festival de Campos do Jordão. Nos primeiros 10 anos de sua estada em Paris, Turíbio percorre inúmeros países gravando sem parar, empresariado pelo Bureau Yves Dandelot.

Uma de suas atividades mais importantes foi a criação de uma coleção de obras para violão na Editora Max Eschig. Nela figuram originais de Cláudio Santoro, Edino Krieger, Ricardo Tacuchian, Francisco Mignone, Almeida Prado, Radamés Gnattali, Nicanor Teixeira, todas dedicadas ao violonista. Mas também estreia obras de compositores franceses: Andre Jolivet, Henri Sauguet e Darius Milhaud.

Ao mesmo tempo editava na Ricordi de São Paulo uma coletânea resgatando a obra de João Pernambuco, parte gravada por ele em Paris. Garoto (Anibal Sardinha) e Dilermando Reis também elencaram seus discos europeus, criando espaço precursor para a música brasileira.

Dilermando ReisGaroto (Aníbal Augusto Sardinha)João Pernambuco

Em 1984 Turíbio compõe a canção Pagu, quando realiza o roteiro musical do filme de mesmo nome, juntamente com Roberto Gnattali. O roteiro será agraciado com o Kikito do Festival de Gramado.

Entre os concertos de mais destaque da sua carreira internacional figura o da criação do Fonds D’Entreaide Musicale da Unesco, em companhia de M. Rostropovitch e Y. Menuhin (1974), acompanhando a soprano Victoria de Los Angeles (New York, no Y), recital com Yehudi Menuhin em Gstaad (1977), turnê no navio de cruzeiros musicais Renaissance (1972), recital no Petit Palais de Marie Antoinnette (Versailles) e como solista diante das orquestras Royal Philharmonic Orchestra, English Chamber Orchestra, Orchestre National de France, Orchestre J. F. Paillard, Orchestre National de L’Opéra de Monte-Carlo, Concerts Pasdeloup, Concerts Colonne, Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra do Teatro Nacional de Brasília, Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Orquestra Petrobrás Pró-Música (da qual tem a honra de ser o padrinho).

Em 1974, Turíbio Santos, fixa residência novamente no Rio de Janeiro embora viaje permanentemente até 1980, quando decide suspender as grandes turnês internacionais.

Em 1980 ele é convidado pelo escritor e amigo Guilherme Figueiredo a dirigir a Sala Cecília Meireles, trabalho que realiza até a saída de Guilherme da Presidência da FUNARJ, seis meses depois.

Ao mesmo tempo, sob a inspiração do compositor Ricardo Tacuchian, é convidado a criar o curso de violão na Escola de Música da UFRJ (antiga Escola Nacional de Música). Em 1981 assume a responsabilidade de fazer a mesma coisa na UNI-RIO.

Turíbio Santos

Como fruto dessas atividades é criada em 1982 a Orquestra de Violões do Rio de Janeiro, formada por alunos de ambas as universidades. Ela grava (Kuarup) e apresenta-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e em várias capitais do país. Vários compositores escrevem para a orquestra (ou transcrevem originais) como Radamés Gnattali, Francisco Mignone, Edino Krieger, Roberto Gnattali. Anos mais tarde, será criada a Orquestra Brasileira de Violões que gravará para a VISON Discos.

Em 1985, falece a madrinha musical de Turíbio e sua grande amiga Arminda Villa-Lobos. O violonista é convidado para dirigir o Museu Villa-Lobos mas prefere ser assessor da pianista Sonia Maria Sttrut, sobrinha de Arminda.

Em 1986, Joaquim Falcão, presidente da Fundação Nacional pró-Memória, convida-o para assumir o posto de Diretor. Turíbio aceita e sua primeira missão foi transferir o Museu do 9º andar do prédio onde se localizava (hoje o Palácio da Cultura) para a bela casa em Botafogo que Arminda destinara como futura sede: Rua Sorocaba, 200.

Em 1987 o Museu Villa-Lobos lidera as comemorações do centenário do compositor em todo o país, realizando mais de 700 concertos.

Sandra e Turíbio, divorciam-se em 1988 encerrando um casamento que durou 22 anos. No ano seguinte casa-se com Marta Clemente e adota seus enteados: Júlio e Alberto.

A partir de 1990 lança novas obras de compositores brasileiros. Sua amizade com Guinga e Sérgio Barboza marca o seu repertório da década.

Guinga

Até 2002 tem gravado no Brasil discos com a VISON, RITORNELLO, SONY, KUARUP e ROB Digital. No entanto, suas antigas matrizes da ERATO são constantemente relançadas pela WARNER (WEA) em compilações.

Desde que assumiu a direção do Museu Villa-Lobos, Turíbio preocupou-se em dar um desempenho social ao Museu, além do institucional de guardião da obra de Villa-Lobos. Isso levou-o a apoiar um movimento musical na Comunidade Santa Marta (próxima do Museu) e incentivar a realização de Concertos Didáticos na sede da instituição, para escolas públicas e particulares. Fundou a Associação de Amigos do Museu Villa-Lobos/AAMVL (1987), que tem servido de referência para outras instituições.

Em 2000, a convite do cineasta João Salles, ele aceita coordenar o “Projeto Villa-Lobinhos” destinado a proporcionar uma oportunidade profissional para crianças carentes desejando ser músicos. Com os alunos (hoje professores universitários) do antigo projeto na comunidade Santa Marta, um curso é organizado e tem como resposta um forte apoio da sociedade.

Turíbio gravou em 2003 seu 55º disco em Companhia do Quarteto de Brasília e dirige uma bem sucedida edição de música na Editora Jorge Zahar com o título “Violão Amigo“. No dia 02 de julho de 2002 lançou seu livro “Mentiras… ou não?” pela Zahar na sede da Academia Brasileira de Música, na qual é titular da cadeira 38 desde 1992.

Acaba de gravar 5 concertos para violão e orquestra que são: Retratos brasileiros e O mundo é grande de Sérgio Barboza, Danças concertantes, de Edino Krieger, Concerto e Introdução aos choros, de Heitor Villa Lobos. Os três primeiros concertos foram dedicados a Turibio Santos. O disco estará disponível em 2007 na Vison Digital.

Turíbio Santos

Na Delira discos acaba de ser lançado o Cd Violão Amigo.

Turibio Santos foi condecorado como Chevalier de la Legion D’Honneur pelo Governo Francês em 1985 pelo Governo Brasileiro como Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul em 1989.

Fonte: Turíbio Santos, http://www.turibio.com.br

John Williams

Mais um para a série Artistas. Com vocês, John Williams.

John Christopher Williams nasceu em 24 de abril de 1941, e é atualmente um dos violonistas eruditos mais conhecidos no mundo. Nasceu em Melbourne, Austrália, filho de pai inglês e mãe australiana/chinesa. John foi instruído inicialmente por seu pai, e aos 12 anos foi para a Itália estudar com ‘O Maestro’, Andrés Segóvia. Mais tarde, estudou piano na Royal College of Music em Londres, porque a instituição ainda não tinha um departamento para o violão. Depois da graduação, foi oferecida a oportunidade de criar tal departamento. Sendo tal amante do instrumento, ele correu atrás da oportunidade e cuidou do departamento pelos primeiros 2 anos. Williams têm mantido ligações com a universidade (e com a Royal Northern College of Music em Manchester) desde então.

Em 1971 já era considerado um dos grandes mestres do violão e era um veterano em turnês ao redor do mundo; sua companhia, CBS, deu-lhe um prêmio por ter vendido mais de um milhão de discos, um feito raro para um artista clássico que mal havia completado 30 anos. Não demorou muito para que ele percebesse que era mais divertido tocar em shows que ficar repetindo o Concierto de Aranjuez ao redor do mundo. Ele começou a se interessar pela guitarra elétrica e encomendou várias obras para este instrumento. Foi também o primeiro artista clássico a tocar no Ronnie Scott´s, o mais célebre clube de jazz de Londres. Para essa ocasião ele encomendou uma obra para o compositor de trilhas sonoras Patrick Gowers, que é um dos poucos exemplos de cross-over plenamente satisfatórios do ponto de vista artístico.

Sua gravação da Cavatina de Stanley Myers rendeu concertos no mundo inteiro, usada como tema do filme ganhador do Oscar O Franco Atirador (The Deer Hunter [1979]). A peça foi originalmente escrita para piano mas foi reescrita para violão e expandida por Myers. Depois dessa transformação, foi usada para um outro filme, The Walking Stick (1970). Em 1973, Cleo Laine letrou essa música e gravou “He Was Beautiful”, acompanhado por John Williams.

Seu virtuosismo é um show à parte. Os círculos da música clássica ainda eram extremamente circunspectos e não absorveram essa guinada sem chiar. Segovia disse: “este rapaz está empenhado em destruir tudo aquilo que eu levei anos construindo”. John Williams foi acusado de oportunismo, de ter-se vendido e ser viciado em publicidade. Em 1979, criou um grupo de rock progressivo, o Sky, que teve extraordinário sucesso, inclusive o privilégio de ser o único grupo de rock a tocar na Abadia de Westminster. Um crítico chegou a se perguntar: “o quê um músico que, tocando violão clássico, é um parâmetro de comparação em todo o mundo, consegue ver num material musical tão inconseqüente? Talvez a posição dos discos nas paradas de sucesso tornem essa questão irrelevante”.

Ele também participou da gravação das obras completas de Webern sob a regência de Boulez e da estréia de várias obras contemporâneas de peso, como a Libra de Roberto Gerhard, uma obra extraordinária em que o equilíbrio sugerido no título é alcançado através de uma oposição entre a linguagem tonal e atonal e entre a sonoridade dos instrumentos cantantes de um lado e dos percussivos, dos quais o violão faz parte, do outro.

Muitos desses experimentos de cross-over, de pop e música de cinema ficaram irremediavelmente datados, mas em uma entrevista ele afirmou que está muito mais interessado em manter uma atitude arejada com a música e ter liberdade para experimentar o que quer que atraia sua atenção em dado momento. Ele não grava para a posteridade e não tem o menor interesse pelo que as pessoas possam achar de seu trabalho no futuro.

Pode-se dizer que isso é um pouco a filosofia do eu-também, que se volta para um tipo de som que está na moda, sem muita convicção artística. Claro que há uma possibilidade elevada de erro, porém alguns acertos históricos também ocorrem, como no caso de Barrios. Barrios nunca deixou de ser tocado na América Latina, mas o LP que Williams gravou em 1977 marcou o início de um enorme interesse internacional por Barrios, que hoje é um autor publicado e tocado em todo o mundo. John Williams é autêntico ao defender uma visão inclusiva das diferentes culturas musicais: para ele, a música clássica é somente uma linha particular de desenvolvimento que não tem de ocupar necessariamente uma posição central. É uma linha de pensamento que ele tem defendido desde os anos 60, muito antes da moda, imposta pelas grandes companhias, de se fazer do cross-over um caça-níqueis. Ele já chamou a atenção para a música asiática, australiana, africana, para o jazz e o pop, e nutre uma profunda admiração pela música das Américas. Ao invés de fazer coletâneas com peças já batidas, ele sempre procura novo material para seus discos e concertos, uma atitude arejada que deveria ser um exemplo para todos os estudantes.

DISCOGRAFIA

2000s

* 2006 Great Performances – Bach Lute Suites (C) Sony
* 2005 Testament BBC/Testament
* 2005 The Essential John Williams (2CD) (C) Metro
* 2004 The Ultimate Guitar Collection (2CD) (C) Sony
* 2004 Rosemary and Thyme Sanctuary Classics
* 2003 El Diablo Suelto Sony
* 2003 The Seville Concert (Expanded Edition) Sony
* 2003 The Guitarist (Expanded Edition) Sony
* 2001 Perpetual Motion Sony
* 2001 Invocación Y Danza (C) Sony
* 2001 John Williams Plays Bach (C) Sony “Music For You”
* 2001 The Magic Box Sony
* 2000 English Guitar Music (C) Essential Classics
* 2000 The Essential John Williams (C) Metro
* 2000 Classic Williams – Romance of the Guitar (C) Sony

1990s

* 1999 Plague and the Moonflower Altus
* 1999 When Night Falls Sony
* 1999 The Prayer Cycle Sony
* 1999 Schubert and Giuliani Sony
* 1996 Great Performances – Rodrigo (C) Sony
* 1999 Guitar Moods (C) Decca
* 1999 Bach and Scarlatti (C) Belart
* 1999 Spanish Guitar Favourites (C) Decca
* 1998 The Guitarist Sony
* 1998 In My Life MCA
* 1997 Great Expectations Atlantic
* 1997 The Very Best of John Williams (C) Crimson
* 1997 The Black Decameron Sony
* 1996 John Williams Plays the Movies (and The World of John Williams) Sony
* 1996 Bach Lute Music: Volume 2 (C) Essential Classics
* 1996 Bach Lute Music: Volume 1 (C) Essential Classics
* 1996 Paganini, Scarlatti, Giuliani & Villa-Lobos (C) Essential Classics
* 1996 Dodgson and Rodrigo (C) Essential Classics
* 1996 Concertos by Harvey and Gray Sony
* 1996 The Mantis & the Moon Sony
* 1995 George Martin presents the Medici Quartet Classic FM
* 1994 Julian Bream and John Williams Ultimate Collection (C) BMG
* 1994 The Great Paraguayan (From The Jungles of Paraguay) Sony
* 1994 From Australia Sony
* 1993 Together (Expanded Edition on CD) RCA
* 1993 Together Again (Expanded Edition on CD) RCA
* 1993 The Seville Concert Sony
* 1992 Iberia Sony
* 1992 Takemitsu Sony
* 1991 The Best of John Williams (C) Music Club
* 1991 Rodrigo, Giuliani and Vivaldi (C) Essential Classics
* 1991 Latin American Guitar Music by Barrios and Ponce (C) Essential Classics
* 1991 Guitar Recital (C) Decca
* 1990 Spanish Guitar Music (C) Essential Classics
* 1990 Vivaldi Concertos Sony
* 1990 Bach: Four Lute Suites (C) CBS
* 1990 Leyenda CBS

1980s

* 1989 The Golden Guitar (C) CBS
* 1989 Rodrigo and Albéniz (C) CBS
* 1989 Rodrigo Concertos (C) CBS
* 1989 Guitar Concertos (2CD) (C) CBS
* 1989 Spanish Guitar Favourites (C) CBS
* 1989 The Great Guitar Concertos (2CD) (C) CBS
* 1989 Spirit of the Guitar: Music of the Americas CBS/Sony
* 1988 John Williams – The Collection (C) Castle
* 1988 The Baroque Album CBS/Sony
* 1988 A Fish Called Wanda Milan
* 1987 Unforgettable John Williams (C) Castle
* 1987 Fragments of a Dream CBS/ Sony
* 1987 Paul Hart Concerto for Guitar and Jazz Orchestra CBS/Sony
* 1987 Emma’s War Filmtrax
* 1986 Le Grand Classique (C) CBS/Guy Laroche
* 1986 The Essential Collection (C) Castle
* 1986 Classic Aid: Concert in Aid of The UNHCR CBS
* 1986 Echoes of London CBS
* 1985 Hounds of Love EMI Manhattan
* 1985 Bach, Handel, Marcello: Concertos CBS/Sony
* 1984 Rodrigo CBS
* 1983 Cadmium … Ariola
* 1983 The Guitar is the Song: A Folksong Collection CBS/Sony
* 1983 Let The Music Take You CBS/QNote
* 1983 The Honorary Consul Island (single)
* 1983 Sky Five Live Ariola
* 1982 Portrait of John Williams CBS/Sony
* 1982 Just Guitars: A Concert in Aid of The Samaritans CBS
* 1982 Sky Forthcoming Ariola
* 1982 John Williams and Peter Hurford Play Bach CBS
* 1981 Sky 3 Ariola
* 1981 Echoes of Spain – Albeniz CBS
* 1981 Great Performances: Rodrigo (C) CBS
* 1980 Sky 2 Ariola
* 1980 The Guitar Music of John Williams (C) Tellydisc
* 1980 The Platinum Collection (2LP) (C) Cube Records
* 1980 Bridges (C) Lotus Music/K-Tel
* 1980 Guitar Quintets CBS

1970s

* 1979 Spotlight on John Williams (2LP) (C) Cube Records
* 1979 Morning Sky (C) Cube Records
* 1979 John Williams at His Best (C) Neon
* 1979 Cavatina(C) Cube Records
* 1979 The Deer Hunter Capitol
* 1979 The Secret Policeman’s Ball Island
* 1979 Sky Ariola
* 1979 Recollections (C) CBS
* 1979 Julian Bream & John Williams Live RCA
* 1979 John Williams plays Stephen Dodgson (C) CBS
* 1978 Manuel Ponce CBS
* 1978 Travelling Cube Records
* 1978 John Williams Collection (C) CBS
* 1978 John Williams Plays Paganini (C) CBS
* 1978 Stevie CBS
* 1978 Malcolm Arnold and Leo Brouwer Concertos CBS
* 1977 Mermaid Frolics Polydor
* 1977 John Williams ~ Barrios CBS
* 1977 Castenuovo-Tedesco, Arnold and Dodgson Concertos CBS
* 1977 Guitar Recital (Double LP) (C) Decca
* 1977 John Williams plays Bach and Scarlatti (C) Decca
* 1977 John Williams plays Spanish Favourites (C) Decca
* 1977 John Williams Plays Patrick Gowers (C) CBS
* 1977 The Sly Cormorant Argo (Decca)
* 1976 Villa-Lobos and Scarlatti (C) CBS
* 1976 John Williams and Friends CBS
* 1976 Duos CBS
* 1976 Best Friends RCA
* 1975 Bach: Complete Lute Music CBS
* 1974 John Williams’ Greatest Hits (C) CBS
* 1974 Rodrigo & Villa-Lobos CBS
* 1974 Together Again (a.k.a. Julian and John 2) RCA
* 1974 Rhapsody CBS
* 1973 The Height Below Cube Records
* 1973 Music from England, Japan, Brazil, Venezuela, Argentina and Mexico CBS
* 1972 John Williams Plays More Spanish Music and Other Favourites (C) CBS
* 1972 Greatest Hits-The Guitar (C) Columbia
* 1972 Previn and Ponce Concertos CBS
* 1972 Gowers Chamber Concerto, Scarlatti Sonatas CBS
* 1972 Together (a.k.a. Julian and John) RCA
* 1972 Guitar Recital (I & II) (C) Ace of Diamonds
* 1971 Music for Guitar and Harpsichord CBS
* 1971 Changes Cube Records
* 1971 200 Motels United Artists
* 1971 The Raging Moon EMI
* 1971 Songs of Freedom – Theodorakis CBS
* 1970 Webern: Complete Works CBS/Philips
* 1970 John Williams Plays Spanish Music CBS

1960s

* 1969 Songs for Voice and Guitar CBS
* 1969 Concertos by Vivaldi and Giuliani CBS
* 1969 Virtuoso Variations for Guitar CBS
* 1968 Haydn and Paganini CBS
* 1968 Two Guitar Concertos (Rodrigo and Dodgson) CBS
* 1967 More Virtuoso Music for Guitar CBS
* 1965 Two Guitar Concertos (Rodrigo and Castelnuovo-Tedesco) CBS
* 1965 Virtuoso Music For Guitar CBS
* 1964 CBS [Columbia] Records Presents John Williams CBS
* 1963 Jacqueline du Pré: Recital EMI
* 1963 Twenty Studies for Guitar Westminster
* 1961 A Spanish Guitar Westminster
* 1961 Folk-Songs L’Oiseau-Lyre

1950s

* 1958 Guitar Recital Volumes 1 & 2 Delysé

Fontes e leituras aprofundadas: A Arte do Violão, Biblioteca Brasileira do Violão, John Williams: The Guitarist.

Andres Segóvia

Começando a série Artistas, com vocês, Andres Torres Segóvia.

Andrés Torres Segovia nasceu no dia 21 de fevereiro de 1893. Foi um violonista erudito espanhol, nascido em Linares, Espanha, e é considerado o pai do violão erudito moderno pela maioria dos estudantes de música. Segóvia dizia que ele “resgatou o violão das mãos dos ciganos flamencos”, e construiu um repertório clássico para dar lugar ao instrumento em salas de concerto.

A introdução de Segóvia ao violão foi aos quatro anos de idade. Seu tio teria frequentemente entoado canções para ele enquanto ele tocava um violão imaginário. Isso incitou Segóvia a fazer sua jornada para elevar o violão para o status do piano e do violino. Em particular, ele queria que o violão fosse tocado e estudado em todos os países e universidades do mundo, e passar seu amor pelo violão para as gerações futuras.

A primeira apresentação de Segóvia foi na Espanha, quando tinha 16 anos. Poucos anos depois, ele fez seu primeiro concerto profissional em Madrid, tocando transcrições de Francisco Tárrega e algumas obras de Bach, que ele próprio transcreveu e arranjou. Embora não fosse aprovado pela sua família, ele continuou a perseguir seus estudos de violão. Sua técnica se diferencia das técnicas de Tárrega e seus sucessores, como Emilio Pujol. Como Miguel Llobet (que pode ter sido seu professor por um curto período), Segóvia atacava as cordas com uma combinação da unha com a carne da ponta dos dedos, produzindo um som mais preciso do que os seus contemporâneos. Com sua técnica, foi possível criar uma paleta maior de timbres em comparação com o uso da carne ou das unhas sozinhas.

Muitos músicos proeminentes acreditaram que o violão de Segóvia não seria aceitado pela comunidade de música erudita, porque nas suas mentes, o violão não poderia ser usado para música erudita. Apesar disso, a excelente técnica de Segóvia e seu toque único atordooaram suas platéias. Conseqüentemente, o violão não foi mais visto estritamente como um instrumento popular, mas um instrumento que também era apto a tocar música erudita.

Como Segóvia progredia na sua carreira e tocava para audiências cada vez maiores, ele constatou que os violões existentes não eram suficientes para tocar em grandes salas de concerto porque não conseguiam produzir volume suficiente. Isso estimulou Segóvia para procurar inovações tecnológicas que poderiam melhorar a amplificação natural do violão. Trabalhando junto com o luthier Hermann Hauser, ele ajudou na construção do que é hoje conhecido como violão erudito, de melhores madeiras e cordas de nylon. O formato do violão também foi mudado para melhorar a acústica. O novo violão podia produzir notas com maior volume do que os modelos anteriores usados na Espanha e outras partes do mundo produziam, embora fosse ainda baseado no modelo básico desenvolvido por Antonio Torres quase 50 anos antes de Segóvia nascer.Depois da viagem de Segóvia pelos Estados Unidos em 1928, Heitor Villa-Lobos compôs os 12 Estudos e dedicou ao maestro. Segóvia também transcreveu muitas peças eruditas e reviveu obras transcritas por homens como Tárrega. Muitos violonistas nas Américas, entretanto, já tinham tocado as mesmas obras antes de Segóvia chegar.

Em 1935, fez a premiere da Chacona de J. S. Bach, uma peça difícil para qualquer instrumento. Mudou-se para Montevideo fazendo muitos concertos na América do Sul na década de 30 e 40. Depois da guerra, Segóvia começou a gravar mais frequentemente e fazer tours regulares pela Europa e EUA, uma agenda que ele manteria pelos próximos 30 anos de sua vida.

Segóvia ganhou o prêmio Grammy pela Melhor Performance Erudita – Instrumentista em 1958, pela sua gravação Segóvia Golden Jubilee.

Em reconhecimento à sua enorme contribuição cultural, ele foi elevado para a nobreza espanhola em 1981, com o título de Marquês de Salobreña.

Andres Segóvia continuou fazendo apresentações já idoso e viveu uma semi-aposentadoria durante os anos 70 e 80 na Costa del Sol. Dois filmes foram feitos sobre sua vida e obra, um quando tinha 75 anos e outro 9 anos depois. Eles estão disopníveis em um DVD chamado Andres Segovia – in Portrait.

Segóvia teve muitos alunos durante sua carreira, incluindo alguns violonistas famosos como John Williams, Eliot Fisk, Oscar Ghiglia, Charlie Byrd, Christopher Parkening, Michael Lorimer, Michael Chapdelaine, Virginia Luque e Alirio Diaz. Muitos outros violonistas, como Lily Afshar, também foram influenciados por suas históricas master-classes. Esses alunos, entre muitos outros, carregam a tradição de Segóvia de expandir a presença, repertório e reconhecimento do violão.

Morreu em Madrid, vítima de ataque cardíaco, na idade de 94 anos, tendo completado sua ambição de elevar o violão de um instrumento de dança cigana para um instrumento de concerto.

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