Faça seu aluno realmente aprender tornando-o o professor

(Texto original do Dr.  Noa Kageyama – Help Your Student Really Learn Something by Making Them the Teacher. Tradução: Bruno Madeira)

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Na escola, esporte, música e na verdade em quase todos os outros lugares, nós fazemos uma quantidade terrível de provas.

Exames, quizzes, testes, jogos, partidas, reuniões, recitais, audições, concertos, júris… Parece que não existe fim para as provas que fazemos.

Não me entenda mal – não é que provas são inerentemente más ou necessariamente sempre uma coisa ruim.

Por exemplo, provas (também conhecidas como prática de recuperação) levam a uma melhor aprendizagem do que muitos métodos de estudo nos quais passamos engajados na maioria do tempo (como ler, destacar partes importantes e fazer mapas conceituais).

Puxa, mesmo a mera expectativa de que nós teremos que fazer uma prova leva a resultados melhores do que quando não estamos esperando ser testados.

Mas às vezes é bom dar um tempo em tudo isso, já que provas constantes podem começar a nos fatigar depois de um tempo. E aí, novamente, existe alguma outra maneira? Ou isso é o melhor que podemos fazer?

Aprendizagem experimental

“Veja, faça, ensine” é uma filosofia de aprendizagem que guiou o treinamento de médicos residentes por algum tempo.

Realmente, o conceito de aprender por ensinar não é novo, e qualquer um que já tentou explicar como configurar um aparelho de DVD pelo telefone rapidamente descobre: nós não sabemos realmente algo até o momento no qual temos que ensinar.

Esse é um conceito que foi usado na organização de salas de aula, com estratégias como a “sala quebra-cabeças“, onde estudantes dividem a responsabilidade pelo conhecimento dos outros. Isso é quando uma sala é dividida em grupos, e em cada grupo os estudantes individualmente são responsáveis por se tornarem “experts” em um subtópico específico. Uma vez que cada estudante pesquisou seu tópico, eles trazem de volta ao grupo e compartilham o que eles aprenderam (i.e. ensinam).

Eu mesmo vi esse aprender-por-ensinar ser implementado nas aulas de Tae Kwon Do dos meus filhos há uns dias. Eu entrei na sala e não pude evitar meu sorriso quando vi meu filho de 9 anos semi-pacientemente guiar sua irmã no novo padrão que ela precisava fazer. Quando ele se virou e pareceu um pouco confuso, eu sorri ainda mais, pois eu pude ver que isso iria ajudá-lo a solidificar o seu aprendizado tanto quanto o dela (talvez até mais!).

Curiosamente, um estudo recente descobriu que nós nem precisamos passar pelo ato de ensinar para experimentar um aumento na aprendizagem. Simplesmente a expectativa de que precisaremos ensinar nos leva a aprender de forma mais eficiente.

Ensinar ou fazer uma prova?

Pesquisadores disseram para 56 estudantes da UCLA que eles teriam 10 minutos para ler uma passagem de cerca de 1500 palavras e que eles depois a) fariam uma prova (o grupo da prova) ou b) teriam que ensinar um outro estudante que faria a prova sobre a passagem (o grupo do ensino).

Depois de terminar a sessão de 10 minutos de estudos, eles se engajaram em uma atividade “distratora” de 25 minutos (para fazer com que um pouco de esquecimento acontecesse), elaborada para mantê-los mentalmente ocupados, sem que eles conseguissem ficar relembrando a passagem em suas mentes.

Então todos os estudantes (mesmo aqueles que estavam esperando ensinar, ao invés de fazer a prova) fizeram uma prova sobre quanto eles se lembravam da passagem. Uma parte da prova foi essencialmente um descarregamento mental, no qual foi pedido para que eles escrevessem qualquer coisa que se lembrassem da passagem. A outra parte foi uma prova de 18 questões curtas sobre vários detalhes da passagem.

Ensinar ganha!

Estudantes que pensaram que teriam que ensinar tiveram consistentemente melhores resultados do que suas contrapartes no grupo da prova. Eles lembraram de uma maior proporção de conteúdo específico da passagem, foram capazes de lembrar da informação de forma mais eficiente (levaram menos tempo para lembrar de mais detalhes) e sua organização do material relembrado foi estruturada de maneira mais eficiente, sendo mais similar a como a passagem original foi escrita.

Eles também tiveram melhores resultados do que o grupo da prova na parte das questões curtas.

Os pesquisadores sugerem que a expectativa de ensinar pode levar os estudantes a prestarem mais atenção a detalhes da passagem, bem como adotar estratégias particularmente eficientes que os ajudariam a ensinar mais eficientemente. Essencialmente melhorando seu nível e estudando melhor, sabendo que ensinar exige um entendimento mais profundo do material em relação ao que uma prova exige.

Tome uma atitude

Habilidades motoras e a aprendizagem de um livro são claramente diferentes, mas existe um elemento cognitivo na aprendizagem de habilidades motoras e parece que nós realmente prestamos mais atenção quando sabemos que teremos que ensinar algo.

Estudantes já estão esperando que farão provas sobre o que estão aprendendo, através de aulas ou performances. Então se você quer que um estudante se apronte e realmente preste atenção, talvez organizar uma oportunidade para que ele ensine um estudante menos experiente (adicionado a tocar regularmente) seja um elemento valioso em seu processo de aprendizagem. Isso sem mencionar o aumento de confiança que vem do ato de ensinar, sendo capaz de compartilhar algo de valor com alguém que pode se beneficiar!

Como você incorpora (ou poderia incorporar) o ensino no processo de aprendizagem dos seus alunos?

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