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Faça seu aluno realmente aprender tornando-o o professor

(Texto original do Dr.  Noa Kageyama – Help Your Student Really Learn Something by Making Them the Teacher. Tradução: Bruno Madeira)

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Na escola, esporte, música e na verdade em quase todos os outros lugares, nós fazemos uma quantidade terrível de provas.

Exames, quizzes, testes, jogos, partidas, reuniões, recitais, audições, concertos, júris… Parece que não existe fim para as provas que fazemos.

Não me entenda mal – não é que provas são inerentemente más ou necessariamente sempre uma coisa ruim.

Por exemplo, provas (também conhecidas como prática de recuperação) levam a uma melhor aprendizagem do que muitos métodos de estudo nos quais passamos engajados na maioria do tempo (como ler, destacar partes importantes e fazer mapas conceituais).

Puxa, mesmo a mera expectativa de que nós teremos que fazer uma prova leva a resultados melhores do que quando não estamos esperando ser testados.

Mas às vezes é bom dar um tempo em tudo isso, já que provas constantes podem começar a nos fatigar depois de um tempo. E aí, novamente, existe alguma outra maneira? Ou isso é o melhor que podemos fazer?

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Por que parece que sabemos mais do que realmente sabemos?

(Texto original do Dr.  Noa Kageyama – Why the Way We Usually Practice Makes Us Think We’re Better Prepared than We Really Are. Tradução: Bruno Madeira)

julgamento aprendizagem Por que parece que sabemos mais do que realmente sabemos?

Quando eu estava no ensino médio, “estudar” significava revisar meu livro e anotações durante a madrugada.

Eu achava que eu estava sendo bem hard-core, e parecia que isso funcionava muito bem, então mantive esse hábito.

Aí eu fui para a universidade e rapidamente descobri que apenas por tudo nas leituras fazer sentido e parecer cada vez mais familiar na medida que mais eu re-lia, não significava que eu podia efetivamente recuperar ou usar aquele conhecimento quando era necessário.

Isso é um exemplo de como a familiaridade pode nos pregar peças. Nós pensamos que sabemos alguma coisa, porque está fresco e facilmente recuperável naquele momento com o livro na nossa frente. Mas tire o livro e nós descobrimos que estamos fritos, já que a informação não afundou tão profundamente quanto nós pensávamos.

Uma coisa parecida acontece na sala de estudos.

A maneira que praticamos na maior parte do tempo nos prepara para esse mesmo tipo de surpresa desagradável, quando entramos no palco e descobrimos que aquela versão incrível de nós mesmos que ouvimos na sala de estudos não está aparecendo.

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Por que praticar distraído é importante (às vezes)

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Why Practicing While Distracted Is Actually Very Important (Sometimes). Tradução: Bruno Madeira)

estudar distraido Por que praticar distraído é importante (às vezes)

Como qualquer outra criança, eu tive muitos momentos nos quais eu queria poder praticar enquanto estivesse lendo um livro ou assistindo TV. Como quando ouvimos música para passar o tempo enquanto estamos no carro, eu pensei que ia ser incrível ser capaz de simplesmente mover meus dedos enquanto estivesse engajado em outra atividade mais divertida, e ainda assim ter progresso.

Eu tentei (e falhei em) fazer isso funcionar e estou certo de não ser o único que tentou ser multi-tarefas dessa maneira.

De fato, praticar enquanto se está distraído é quase universalmente visto como um grande “não”.

Mas é realmente tão ruim?

A resposta intuitiva é “sim”, mas um estudo recente sugere que a resposta não é tão clara como se pode pensar.

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Por que eu estudaria mais escalas se eu pudesse fazer tudo de novo?

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Why I’d Spend a Lot More Time Practicing Scales If I Could Do It All Over Again – Tradução: Bruno Madeira)

escalas Por que eu estudaria mais escalas se eu pudesse fazer tudo de novo?

Como todo bom estudante, eu obedientemente (apesar da má vontade) pratiquei minhas escalas desde pequeno.

É claro, uma vez que eu já tinha idade suficiente para praticar sem supervisão, eu alegremente evitava escalas sempre que podia. Assim como tomar minhas vitaminas, havia algo nas escalas que eu sabia que seria bom para mim, mas eu não sabia exatamente o quê.

Foi depois dos meus 20 anos que as luzes se acenderam e eu descobri por que eu deveria estar praticando escalas desde sempre.

Mas e aí, por que vale a pena gastar nosso tempo com escalas e estudos?

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Aprenda mais rápido pensando menos sobre o que seu corpo está fazendo

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Learn Quicker by Thinking Less about What Your Body is Doing. Tradução: Bruno Madeira)

foco externo Aprenda mais rápido pensando menos sobre o que seu corpo está fazendo

Eu não sou bem um jogador de tênis, mas como queria dar aos meus filhos uma introdução ao esporte no último verão, pegamos umas raquetes do tamanho adequado para crianças e fomos rebater umas bolas. Naturalmente, eu comecei ensinando o básico de como se segurar a raquete, a postura do corpo e a rebatida… E consegui enchê-los de instruções que os paralisaram com coisas demais para se pensar. Eu também acabei completamente com toda a diversão do que seria essencialmente bater em bolas com um trampolim na mão.

Instruções são uma grande parte do aprendizado de qualquer nova habilidade motora – especialmente instruções centradas em técnicas e no aprendizado dos movimentos corretos do nosso corpo.

Isso faz um perfeito e intuitivo sentido, mas é essa a maneira mais eficaz para aprender uma nova habilidade?

Pesquisas recentes sugerem que essa não é uma abordagem particularmente eficaz – focar nos nossos movimentos corporais na verdade resulta em performances piores e uma taxa de aprendizado mais lenta.

E aí?

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A prática lenta é realmente necessária?

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Is Slow Practice Really Necessary? Tradução: Bruno Madeira)

prática lenta A prática lenta é realmente necessária?

Assim como todo mundo que já teve aula de música alguma vez na vida, muitas vezes me disseram para praticar lentamente.

Mas eu ouvi com atenção o conselho dos meus professores?

Não.

Afinal, qual é o objetivo de tocar lentamente? Tudo é mais fácil quando é mais lento – é claro que você consegue tocar coisas de forma mais precisa em um andamento lento. Qual seria o grande negócio?

Mas então por que tantas pessoas idolatram a prática lenta?

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Quando erros são bons: uma estratégia estranha para consertar hábitos ruins

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – When Mistakes Are Good: A Counterintuitive Strategy for Rapidly Fixing Bad Habits in Our Technique. Tradução: Bruno Madeira)

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Todos nós temos hábitos. Alguns bons, como comer coisas saudáveis, exercitar-se regularmente e espremer a pasta de dente a partir do fim do tubo. E outros não tão bons, como pular o café-da-manhã, se sentar com a coluna torta e deixar toalhas molhadas no chão.

Não é diferente quando se trata de música – todos nós temos vários hábitos de técnica bons e ruins. Aqueles bicho-papões contra os quais lutamos para nos livrar, mas que ficam ao redor como um gato de rua que uma vez nós cometemos o erro de alimentar.

A abordagem tradicional é tentar ensinar nossos alunos (e nós mesmos) como fazer as coisas da forma correta. Manter o reforço dos movimentos técnicos corretos e esperar que eventualmente as coisas boas permaneçam.

Mas mudar hábitos ruins parece levar uma eternidade e eles têm uma tendência de se esconder e ficar dormentes até o pior momento possível – como no meio de uma performance.

Pesquisas recentes sugerem que pode haver um jeito melhor. Uma maneira mais eficaz e rápida de corrigir permanentemente questões técnicas, reduzindo nosso tempo de aprendizado e melhorando a eficácia do nosso ensino.

É, eu sei. Isso tudo soa muito bom pra ser verdade. Mas vamos dar uma olhada.

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A prática mental funciona?

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Does Mental Practice Work? Tradução: Bruno Madeira)

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É dito que os legendários pianistas Rubinstein e Horowitz não eram muito afeiçoados à prática. Rubinstein simplesmente não gostava de praticar por horas a fio, enquanto Horowitz supostamente temia que praticar em pianos diferentes do seu próprio afetaria negativamente seu toque. A solução deles? Uma dose saudável de prática mental.

Embora muitos de nós possamos nunca ser legendários, a prática mental é algo que pode beneficiar absolutamente todos os músicos, independentemente do nível de proficiência.

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Quantas horas por dia você deve estudar?

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – How Many Hours a Day Should You Practice? Tradução: Bruno Madeira)

relógio 300x225 Quantas horas por dia você deve estudar?

2 horas? 4 horas? 8 horas? 12 horas?

Quanto é o suficiente?

“Estudar demais” é possível?

Existe um número ótimo de horas que se deve praticar?

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Duas coisas que especialistas fazem de forma diferente quando praticam

(Texto original do Dr. Noa Kageyama – Two Things Experts Do Differently Than Non-Experts When Practicing. Tradução: Bruno Madeira)

como estudar 526x332 Duas coisas que especialistas fazem de forma diferente quando praticam

Você alguma vez já viu aquele tipo de infomercial que uma pessoa vai do tamanho 52 para o 36 em oito semanas, joga fora as calças antigas, casa com alguém e vive feliz para sempre? (Se não, você precisa checar esses cinco piores infomerciais de fitness de todos os tempos – especialmente a Hawaii Chair, que com certeza você poderia usar para tonificar seu abdômen enquanto estuda seu instrumento.)

Eu admito que fui tentado pelo AB Toner, AB Swing e vários outros equipamentos, porque a coisa mais frustrante sobre fazer exercícios é que é difícil saber se você está fazendo o melhor uso do seu tempo.

Quero dizer, é claro que fazer alguma coisa é melhor do que fazer nada, mas e se existir outra rotina de exercícios que poderia me levar a resultados muito melhores na mesma quantidade de tempo?

O que as pessoas em boa forma fazem que eu não faço? Como seus exercícios são diferentes? Existem coisas importantes que eles fazem enquanto se exercitam que dão maior retorno do que as coisas que eu faço? Em outras palavras, eles estão extraindo do tempo deles na academia resultados desproporcionalmente maiores do que os meus?

O mesmo pode ser dito em relação à sala de estudos. O que os melhores músicos fazem na sala de estudos? O que os estudantes menos efetivos fazem? Existem diferenças?

De fato, parece que existem.

Melhor vs. pior

Dois pesquisadores da City University of New York fizeram um estudo em jogadores de basquete para ver se eles poderiam discernir a diferença enter os hábitos de treinamento dos melhores arremessadores de lance livre (70% de acertos ou mais) e os piores arremessadores (55% de acerto ou menos).

Descobriram várias diferenças, mas elas se resumiam a duas em particular.

Diferença nº. 1: Metas foram específicas

Os melhores arremessadores de lances livres tinham metas específicas sobre o que eles queriam obter ou focar antes de fazerem um treino de arremessos. Algo como “eu vou acertar 10 dos 10 arremessos” ou “eu vou manter meus cotovelos para dentro”.

Os piores arremessadores tinham metas mais genéricas, como “fazer o arremesso” ou “usar boa posição”.

Diferença nº. 2: Atribuições do erro foram específicas

Invariavelmente, os jogadores erravam arremessos algumas vezes, mas quando os melhores arremessadores erravam, eles tendiam a atribuir seus erros a problemas técnicos específicos, como “eu não dobrei meus joelhos”. Isso os levava a uma meta mais específica para a próxima tentativa e um processo de reflexão mais consciente sobre o acerto ou erro do arremesso subsequente. Muito melhor do que dizer “sou ruim”, “o que há de errado comigo?” ou “droga, eu nunca vou conseguir fazer isso”.

Em contraste, os piores jogadores tendiam a atribuir o fracasso a fatores não-específicos, como “meu ritmo não estava bom” ou “eu não estava focado”, o que não informa muito para a próxima tentativa.

Não é o que você sabe, mas o que você usa

Você pode estar pensando que talvez os piores jogadores não tenham focado em estratégias técnicas específicas simplesmente porque eles não as conheciam. Você poderia achar que talvez os melhores jogadores fossem aqueles que focaram na técnica e estratégia porque eles sabiam mais sobre como arremessar com a posição correta.

Os pesquisadores também pensaram nisso e especificamente controlaram essa possibilidade testando o conhecimento dos jogadores em relação a técnica de arremesso. Descobriram que não havia diferenças significativas do conhecimento de especialistas e não-especialistas.

Tanto os melhores quanto os piores jogadores tinham o mesmo nível de conhecimento para se basear, mas pouquíssimos dos piores jogadores realmente usaram essa base. Enquanto isso, os melhores jogadores usaram com muito mais frequência seus conhecimentos para pensar, planejar e direcionar seu tempo de treinamento de forma mais produtiva.

Tome uma atitude

Quando você estiver praticando algo técnico, tente usar metas mais específicas.

Mas talvez mais importante do que isso é prestar atenção em como você fala com você mesmo depois de errar. Você foca na técnica? Ou só xinga um pouco e já segue para mais uma tentativa sem tentar descobrir o que você errou na última?

O resumo em uma frase

“Sem conhecimento, a ação é inútil. Sem ação, o conhecimento é fútil.”  – Abu Bakr