Estudo, 11/07/07

vivaldi Estudo, 11/07/07

11/07. Comecei a pegar hoje o Concerto em Ré Maior para Violão e Orquestra [RV 93], de Vivaldi. O original é para bandolim e orquestra, mas como em várias obras do período barroco, o violão é o instrumento que foi escolhido para substituí-lo. É um concerto de três movimentos: Allegro Giusto, Largo e Allegro, de duração relativamente curta, acredito que uns 8 minutos. Li os três movimentos, mas só posso falar do primeiro por enquanto, que foi o que mais estudei. Os problemas que estou tendo com ele no momento se referem à precisão dos ligados. Há uma celula rítmica de duas fusas e uma colcheia pontuada que aparece em toda a peça, e as duas notas dessa célula (às vezes até as três) são para serem feitas com ligado. Então é de extrema importância que saiam todas as notas bem definidas, para dar consistência à peça. Algumas passagens de semicolcheias (compasso 10, 15, 16, 49 e 50) exigem uma velocidade bastante alta, e se o músico não cuidar para começar a peça no andamento certo, pode embolar bastante. Do compasso 27 ao começo do 29 estou tendo um pouco de dificuldade, mas mais pelo motivo de eu estar sempre apenas lendo a peça, nunca parando para estudar trechos isoladamente (que seria o passo adiante). Essa passagem é em colcheias, não muito difícil, mas requer um trabalho de estudo de digitação mais adiantado, querer ler na primeira deixa a frase truncada. Fora isso, algumas passagens que merecem atenção do ponto de vista musical: há muita repetição de idéias, repetições exatas de idéias. Então é preciso variar o timbre, intensidade ou articulação, fazendo com que além de ter um efeito auditivo agradável, não canse o ouvinte com a repetição (compassos 6 e 7, 19 e 20, 35-37 e 28-40, 44 e 45 – estes são os mais claros de que tem de haver uma mudança, mas outros também aparecem no caminho, à escolha do intérprete).

Estudo, 26 e 27/05

26/05. Estou estudando a Sonatina Meridional do Ponce. Primeiro movimento ainda, o Campo. Está todo lido, mas nem devagar saem todas as passagens. Estou com vários problemas de digitação, coisas meio sem solução em vários compassos. E não estou confiando nos ligados da partitura, já que vários ligados foram rabiscados em cima do original. Vou aproveitar minha aula de terça-feira para tentar ver com o Fábio o que dá pra tirar e o que não dá. Especiais dificuldades no tema que vem depois do segundo pizzicato, tema que Segóvia mostrou a Ponce e encomendou uma peça que veio a se tornar a Sonatina, para os baixos saírem na duração que está escrita e a presença ou ausência de ligados; precisão nas semicolcheias sucessivas que vêm depois da repetição da exposição.

27/05. Estabeleci uma nova digitação para o arpejo em mi menor do Estudo no. 1 do Villa, aquela parte que destoa do contexto do estudo. Estava fazendo o arpejo baseado no modelo do mi menor da casa 12, agora estou usando o mi menor da casa 7 e está saindo bem mais limpo. Falta apenas desenvolver o reflexo, que já estava condicionado faz um ano a fazer um movimento e agora terá que fazer outro.

Estudo, 17 e 18/04

Mais um post da série Estudo, agora dos dias 17 e 18 de abril.
Estou pensando seriamente em fazer uma outra categoria, onde haverá uma análise mais detalhada de cada peça, como o que estou fazendo com o Prelúdio no. 3 do Villa-Lobos. Ainda está no papel, mas vejo que daqui a um tempo é isso que vai acontecer.

17/04. Continuei estudando o Prelúdio no. 3, depois dos aquecimentos habituais. No outro post eu comentei bastante sobre a primeira parte do Prelúdio. Agora vamos pra segunda parte, onde temos uma seqüência no fraseado. Há duas interpretações possíveis nessa parte, uma mais direta e uma mais subjetiva. As duas são coerentes, o intérprete deve escolher pelo gosto pessoal. Na primeira opção, a parte é tocada como uma melodia tipicamente bachiana, mais andada, com a nota pedal marcando o ritmo firmemente. Na segunda opção, há uma conotação mais romântica, que embeleza a música pela riqueza de uma digitação diferenciada que realça harmônicos (mais informações sobre a digitação, deixe um comentário). Eu havia optado pela segunda opção (mais à la Julian Bream), mas agora acabei mesclando as duas. Estou fazendo num ritmo marcado para não perder a essência bachiana da peça mas sem deixar de ser uma melodia introspectiva e suave. A nota pedal deve aparecer menos do que a nota que se move, e pra isso estou alternando entre o apoio e o não-apoio, fazendo o pedal sem apoiar.

18/04. Comecei a estudar En Los Trigales, de Joaquin Rodrigo. É uma peça complicada, demorou pra eu conseguir entender o que o compositor quis passar, ainda mais com a dificuldade de leitura pelos rabiscos e má qualidade do xerox da partitura. É uma peça bastante contagiante no início (pelo ritmo mais movido), que depois vai por uns caminhos diferentes até que chega em um ponto onde o que era 3/8 vira 2/4 e muda completamente. Ainda estou lendo-a, quando tiver uma opinião mais formada sobre ela eu posto aqui. Ouvi também um arranjo muito legal executado pelo Los Angeles Guitar Quartet (LAGQ) da abertura de O Quebra-Nozes, de Tchaikóvski. Um vídeo muito interessante mesmo, recomendo a todos pra tentarem perceber as minúcias de um trabalho sério de música de câmara. O link para o vídeo está aqui.

Estudo, 10/04 e 14/04

Ganhei um computador, e agora vai ser mais fácil de fazer o CdV funcionar. Por enquanto, mais um post da série Estudo.

10/04. As cordas já não estão dando o mesmo efeito de quando foram trocadas, com um mês de uso. Não vou dizer que estão impossíveis de se tirar um bom som, mas tá bastante difícil. E essa espera pelo violão do Samuel Carvalho tá me matando. Liguei pra ele e ele disse que pode ser que me entregue nessa semana agora! Nossa, se der certo isso vai ser muito bom, meu violão tá trastejando demais. A primeira corda grita incontrolavelmente, a terceira corda trasteja em quase toda a extensão do braço. Isso além da qualidade sonora do violão inteiro, que eu acho mais pobre a cada dia que passa.

14/04. Exercícios do Carlevaro 2 pra começar, Estudo no. 6 do Brouwer e no. 1 do Villa. Estou trabalhando no Prelúdio no. 3 do Villa-Lobos com o Fábio nas aulas, e tá sendo muito interessante. Várias coisas a serem trabalhadas: na primeira seqüência melódia (compassos 1 e 2), que é equivalente a melodia do fim do compasso 6 e 7 – fazer um crescendo e um rubato, acelerando e desacelerando na mesma proporção até o acorde seguinte (C7M e F#); procurar igualdade de timbre, tomando cuidado com cordas soltas que evidenciam a discrepância timbrística. Nos acordes (compassos 3 e 8) – arpejar bastante, antecipando o baixo para conseguir uma idéia de ligação entre a frase melódia anterior e a nota mais aguda do acorde. Arpejos (compassos 4, 9 e 19) – igualdade de timbre, especial cuidado com cordas soltas; tomar cuidado na elaboração das digitações (para maior detalhes das minhas digitações, deixe um comentário); acelerar e reduzir na mesma proporção das seqüências melódicas. Cortei meu dedo indicador esquerdo, o que tá fazendo meu estudo ser bastante prejudicado…

No próximo post eu continuo com o Prelúdio no. 3. Até!

Estudo, 16-18/03/07

Tá bem difícil manter o blog atualizado enquanto estou sem computador. Postar leva tempo, e eu estou apenas com pouco mais de 2 horas por semana no computador. Mas aí vai mais um post da série Estudo.

16/03. Comecei tocando arpejos do Carlevaro, Estudos no. 1 do Villa e no. 6 do Brouwer. Segui tocando o Prelúdio no. 1 do Villa, com algumas variações no timbre do polegar que estava um tanto impreciso, acho que uma abordagem um pouco mais perpendicular me deu um som mais definido. Ainda quero dar essa melodia grave do Prelúdio para um cellista tocar, pra eu ter uma idéia melhor de articulação. Há um tempo atrás comecei a trabalhar uma peça do Sor, Folies d’Espagne. Tema e variações, estilo bem parecido com as Variações sobre a Flauta Mágica. Embora seja uma peça de fácil leitura, descobri muitos detalhes com a ajuda do Fábio que passariam desapercebidos, e detalhes que trazem os pontos fortes da música à tona. Hoje trabalhei bastante com o tema, dividindo em três planos de intensidade diferente as seqüências de acordes, dando um sentido crescente até chegar ao ápice no último acorde. Conseguir uma igualdade de timbre e volume entre as notas do acorde e paralelamente pensar nessa divisão de planos é uma tarefa um tanto complicada, mas que agora já está saindo legal.

17/03. Fiz o aquecimento que sempre faço com os estudos do Villa e Brouwer, e defini os últimos detalhes da variação 1 da Folies d’Espagne, do Sor. Com unidade de contato para fazer as terças paralelas da melodia, o timbre sai bastante homogêneo, e com a mão esquerda fazendo quase um legatto, contrabalanceando com o timbre mais pontiagudo da mão direita, consegui uma qualidade sonora bastante interessante pra uma variação mais rápida e pontuada. A variação 2 continua difícil no quesito separação das vozes, a unidade de contato entre o i e m para fazer o acompanhamento em piano combinada com a melodia mais seca e forte está dando bastante trabalho. O que geralmente sai é uma indefinição da voz superior, e acho que um estudo que o Fábio me passou pode ajudar. Esse problema é o mesmo da variação 3, que possui a mesma divisão entre baixo, acompanhamento e melodia, que precisam ser tocados independentemente, com característica tímbrica e de intensidade igual. A variação 4 está um pouco melhor com uma intenção da melodia do baixo parecida com a intenção do Prelúdio no. 1 do Villa comentada na descrição do dia 16.

18/03. Troquei as cordas. Coloquei a Gianinni modelo Clássico, tensão alta. Estou gostando de tocar com elas, o som está bom desde a colocação, apesar da afinação ainda difícil. Embora percam muito na sustentação do baixo comparada com uma Augustine, o som está bem definido, agudos bem mais brilhantes e definidos em comparação com a corda velha. É ótimo trocar as cordas, não é? Estou trabalhando bastante no Minueto, movimento final da Folies d’Espagne do Sor. É um minueto muito bonito, e uma interpretação com um vibrato bem feito ali ou aqui dá uma sensação bastate agradável. Em alguns pontos acho que ainda posso melhorar, principalmente no ornamento já nos primeiros compassos, que apesar de ter aprendido algumas dicas com o Fábio (com o dedo anterior ao que realiza o ligado puxar a corda no sentido contrário; usar um movimento circular de braço/pulso para ajudar na força imprimida) ainda está falho. De resto está tudo bem, talvez um pouco inseguro em um compasso da segunda parte do minueto que exige uma abertura maior, mas que está sendo resolvida com uma leve inclinação do ombro esquerdo para que a mão alcance maior distância.